CBR para DVB¶
Um modulador não precisa de uma taxa média, precisa de uniformidade no nível de pacotes TS: a banda está alocada e o stream deve ocupá-la exatamente, sem quedas nem picos. O mesmo requisito vem dos receptores profissionais e das redes onde o transporte é contado por banda, e não por uma média por minuto.
O CBR no Mcaster é uma propriedade do multiplexador de saída, não um botão separado de «ligar CBR».
O que o multiplexador faz¶
- A taxa-alvo é derivada dos bitrates das trilhas — com uma folga de cerca de 5% para o crescimento e um orçamento para as tabelas de serviço.
- Os vazios são preenchidos com pacotes nulos (PID 0x1FFF): a banda fica ocupada de modo uniforme mesmo quando os quadros chegam em rajadas.
- O PCR é posicionado a partir de um relógio sem deriva, por isso a divergência entre PCR e DTS não se acumula nem em muitas horas de transmissão.
- O modelo de buffer do decodificador (HRD) é levado em conta — estouros e esvaziamentos são acompanhados em vez de descobertos no receptor.
A uniformidade é medida contra o relógio interno do stream (27 MHz), não contra o relógio de parede: o arranjo não depende de quão irregularmente os quadros chegam da fonte.
O que a uniformidade custa¶
As três exigências de um multiplex — arranjar os pacotes de modo uniforme, nunca travar, nunca perder nada — são satisfeitas duas a duas, mas não as três juntas. A uniformidade é uma afirmação sobre o futuro, enquanto os dados são um fato sobre o passado: para arranjar os pacotes uniformemente, o cronograma precisa conhecer o ritmo com antecedência, e o ritmo só pode ser medido pelo que já chegou.
Na prática, isso significa:
- Um PID sem nada para enviar cede o seu lugar em vez de parar o multiplex. Uma trilha de áudio anunciada na PMT mas silenciosa não deve travar o vídeo — e não trava.
- Um PID atrasado se recupera dentro da janela em vez de ser descartado. Um mux de broadcast clássico perde dados neste ponto; aqui a troca é feita ao contrário.
- O ritmo é medido pelo PES empacotado, não inferido da banda declarada multiplicada por uma constante.
O que daí segue para o operador: defina o bitrate de saída com honestidade, com folga para os picos, e não no limite do bit. Uma banda subestimada não é «qualidade um pouco pior», é um PID sistematicamente atrasado.
Configure as trilhas de saída¶
Abra o stream, a aba Transcodificador. Você pode começar de um preset — por exemplo Escada padrão 1080/720/360 + AAC — e editar os degraus a partir daí.
Num degrau do bloco Vídeo (escada):
- Bitrate (kbps) — a taxa-alvo da trilha. A soma das trilhas mais as tabelas de serviço é a banda que o fluxo de transporte vai ocupar.
- Comprimento do GOP e Estrutura do GOP — para broadcast, o GOP costuma ser de exatamente um segundo: um ponto de entrada para o receptor e para a emenda. O botão Unificar GOP o alinha em todos os degraus.
- Codec — com o valor Como está, o degrau não é recodificado. Se a fonte já chegou na forma certa, o multiplexador não precisa de transcodificador para arranjá-la de modo uniforme.
- Altura, Rate control e Preset do codificador — as demais propriedades do degrau.
O bloco Codificação escolhe quem faz o trabalho: CPU ou GPU NVIDIA (com uma placa escolhida, ou automaticamente a menos carregada).
Warning
Um degrau passthrough ao lado de degraus codificados degrada a escada: seu GOP e seus quadros-chave não estão alinhados com os demais degraus. O painel marca esse degrau à parte.
Desentrelaçamento¶
Uma entrada entrelaçada — SD MPEG-2, 1080i de broadcast — codificada em vídeo progressivo aparece como serrilhado. O Desentrelaçamento vive no bloco Decodificador, porque é uma propriedade da entrada, e não de um degrau: a decodificação acontece uma única vez e a imagem resolvida vai para todas as trilhas de saída.
| Modo | O que faz |
|---|---|
| Automático (apenas quadros entrelaçados) | o padrão: o filtro é aplicado aos quadros que o decodificador marcou como entrelaçados; uma entrada progressiva passa direto sem custo |
| Forçado (todos os quadros) | para fontes que mentem sobre o entrelaçamento |
| Desativado | nenhum filtro é construído, os quadros vão para o codificador como estão |
O desentrelaçamento não muda a taxa de quadros: um quadro progressivo por quadro de entrada.
Verificação¶
O que olhar na saída:
- a taxa no receptor — ela não deve flutuar; uma queda significa que o multiplex não tinha nada a enviar;
- o jitter do PCR e os contadores de continuidade — veja TR 101 290; um stream uniforme com PCR incorreto não ajuda um modulador;
- as tabelas de serviço — o receptor deve ver o serviço sob o número esperado, veja Saída MPEG-TS.
Sobrepor as tabelas num destino individual não quebra o CBR: o destino recebe uma cópia da saída compartilhada com PIDs e tabelas reescritos, enquanto o arranjo dos pacotes e o PCR permanecem os do multiplex compartilhado.
O que vem a seguir¶
- Saída MPEG-TS — PNR, PIDs e SDT.
- Entrega à rede — como este stream chega ao modulador.
- TR 101 290 — como verificar que a saída serve.