Publicação SRT¶
A captura por SRT funciona assim: você diz de antemão à estação para onde discar atrás do sinal, e ela mesma alcança o remetente. A publicação inverte o esquema — um correspondente com OBS ou um codificador móvel disca para o cluster por conta própria, com um único endereço e uma única porta, sem saber nem escolher de quais máquinas o cluster é feito. A porta está aberta em todos os nós ao mesmo tempo, e o stream é recebido por aquele a que o cluster deu a captura.
É assim que se conectam autores externos: um repórter com um telefone, o estúdio de um parceiro, uma câmera em um evento. Eles recebem uma única linha de conexão — do resto o cluster cuida sozinho.
Como o cluster atende a chamada¶
- A porta UDP dedicada do stream é escutada por todos os nós do cluster — disque para qual for, a porta é a mesma.
- Quem liga passa pela verificação da senha de acesso no próprio handshake.
- O stream é recebido apenas pelo nó a que o cluster deu a captura. Esse nó é escolhido pela distribuição do cluster — por carga, etiquetas e disponibilidade, não por onde a chamada caiu. Se o codificador chegar a ele, a transmissão começa, e um stream sob demanda sobe ali mesmo.
- Uma chamada para qualquer outro nó é fechada logo após o handshake: esse stream não está na configuração dele, e segurar a conexão em silêncio mostraria ao codificador uma transmissão que ninguém está recebendo. O codificador vê uma queda imediata e redisca; ao chegar ao nó de captura, começa a transmitir.
- Enquanto a publicação está no ar, a porta está ocupada: um segundo codificador que chegue ao mesmo nó recebe uma recusa de «ocupado» e não derruba a transmissão em curso.
- Uma publicação caída espera o seu retorno: após alguns segundos de silêncio a conexão se fecha e o stream volta à espera. A captura não se muda para lugar nenhum — o codificador que volta continua no mesmo nó, até que o cluster mova a captura por conta própria (quando o nó cai, por exemplo).
As fontes são opcionais para esse stream: ele pode viver só da publicação e arrancar com a primeira chamada. Uma fonte configurada ao lado da publicação atua de reserva — o ao vivo a supera.
Um endereço para todos os codificadores¶
O codificador precisa de um único endereço, e o cluster tem vários nós. O ajuste Endereço de publicação (menu Configurações do central) é o nome ou o IP que o console coloca na linha de conexão. O que está por trás desse endereço — um nome DNS com vários registros A, um VIP ou um balanceador UDP — é decisão da instalação; esta página cobre a variante DNS como a que não exige software adicional. O ajuste vazio significa o host do console e só serve para uma máquina única.

Cenário: um nome DNS com vários registros A¶
No SRT não há redirecionamentos: o cliente disca por UDP para um endereço concreto, e o protocolo não sabe dizer «pergunte no nó ao lado». O que os clientes SRT — OBS, Larix, VLC — sabem fazer é percorrer os registros A: quando um endereço não responde, eles tentam os registros do nome por conta própria, gastando uns três segundos por cada um morto. Um nome com um registro A por nó dá tolerância a falhas pelo esforço do próprio cliente: um nó morre — o codificador disca para o seguinte. Esse mesmo percurso é o que leva o codificador até o nó de captura: um nó sem a captura corta a conexão logo após o handshake, e não por tempo limite, então as tentativas são rápidas.
A ordem de configuração:
- Declare os endereços públicos dos nós. Na ficha de cada nó preencha o Endereço público de mídia — o campo oferece a escolha entre os endereços que o nó vê nas suas interfaces; atrás de NAT o correto só você sabe, escreva-o à mão.
- Confira a dica. Sob o ajuste Endereço de publicação o console lista os candidatos a registros DNS — um endereço por nó vivo, com o nome do nó. Essa é exatamente a lista do que vai para a zona.
- Crie os registros A. Na sua zona DNS crie um nome — por exemplo,
publish.example.com— com um registro A para o endereço de cada nó da lista. - Coloque o nome em «Endereço de publicação» e salve. O cluster resolve o nome periodicamente e confere o resultado com o registro de nós: junto ao ajuste se vê que o nome leva a nós vivos. Um nome que não se resolve, ou que leva só a nós desligados, acende um aviso — o erro clássico de manutenção «nó retirado, registro esquecido» aparece de imediato, não na primeira transmissão quebrada. A partir desse momento as URL do codificador de todos os streams passam a ser montadas com o nome.
Duas ressalvas honestas:
- Vários registros A são tolerância a falhas, não balanceamento de carga: os resolvedores cacheiam e embaralham os registros do seu jeito, e os codificadores de uma mesma rede podem discar todos para a mesma porta. Isso não afeta a distribuição — qual nó fica com a captura é decisão do cluster; do DNS depende apenas quantas tentativas custa ao codificador acertar a porta certa.
- Nem todo cliente móvel percorre os registros. Alguns aplicativos pegam o primeiro endereço e insistem nele. Para esses é mais seguro configurar dois endereços no perfil do codificador — principal e reserva.
Configuração do stream¶
Abra o stream na aba Streams e encontre a seção Publicação SRT:
| Campo | O que define |
|---|---|
| Porta UDP | a porta de publicação; uma porta — um stream, em todos os nós ao mesmo tempo |
| Senha de acesso | a chave de criptografia AES, de 10 a 79 bytes; na divergência, a chamada é recusada no handshake |
A senha de acesso é opcional, mas uma porta sem ela é uma porta aberta: poderá publicar qualquer um que discar. Deixe-a vazia só em uma rede de confiança — o formulário avisa sobre isso.

Abaixo dos campos monta-se a URL do codificador pronta — srt://endereço:porta?passphrase=… — com botão de copiar e código QR: o endereço com a chave entram no codificador móvel pela câmera, não pelo teclado. O endereço da linha é o mesmo Endereço de publicação da seção acima: configure-o antes de distribuir a linha, senão o codificador leva o endereço de um nó concreto.
Ao lado do QR estão as abas Larix e Moblin: a mesma porta como link de importação pronto para esses aplicativos — escaneie com a câmera deles e a conexão aparece sozinha nas configurações.

Conexão do codificador¶
No OBS: Configurações → Transmissão → Serviço: Personalizado..., e a linha inteira da ficha do stream no campo Servidor:
srt://publish.example.com:9000?passphrase=sua-chave
Ao codificador móvel mostre o QR da mesma seção. Depois de iniciar a transmissão, o stream sobe em alguns segundos: o codificador pode precisar de um par de tentativas para chegar ao nó de captura. O resultado é visível na lista de streams e na página de portas.
O resumo de portas SRT¶
A página Portas SRT (no menu, sob Streams) é o mapa de todas as portas SRT do cluster: portas de publicação e de entrega, de qual stream é cada uma, se tem senha de acesso, se de fato está escutando. Também mostra:
- a escolha de porta para um stream novo — os números ocupados estão à vista, uma porta duplicada fica marcada;
- uma publicação ao vivo — o endereço do codificador e o nó que recebe o stream;
- o silêncio entre chamadas — não há sessão, a porta apenas escuta; qual nó atenderá a próxima chamada decorre da distribuição do cluster, e o resumo não promete nada a esse respeito;
- a verificação do endereço de publicação — a mesma linha de estado que junto ao ajuste.
Quando uma chamada é recusada¶
| O que aconteceu | O que o codificador vê |
|---|---|
| A senha de acesso não coincidiu | uma recusa no handshake, sem conexão |
| A chamada caiu em um nó sem a captura do stream | a conexão se fecha logo após o handshake; o codificador redisca até chegar ao nó de captura |
| O nó receptor já está ocupado com uma publicação em curso | uma recusa de «ocupado»; a transmissão em andamento não é interrompida |
| A publicação ficou em silêncio | após alguns segundos de silêncio a conexão se fecha e o stream espera a próxima chamada |
O que vem depois¶
- Captura por SRT e RIST — o esquema clássico quando o endereço da fonte é conhecido de antemão.
- Entrega por SRT — passar o sinal recebido adiante.
- Monitoramento — contadores de conexão e qualidade da captura.