Entrega à rede¶
A saída principal de uma cabeça de rede é um fluxo de transporte enviado para a rede: para o grupo multicast de um operador de cabo, para um modulador, para um endereço unicast de um receptor. Aqui a estação é o lado ativo: ela envia sozinha, ninguém se conecta a ela.
Um destino de entrega se chama push, e todo push tem um Nome. O nome é a identidade dele: pelo nome o destino é encontrado nas configurações, nas estatísticas e nas métricas. O painel avisa disso bem abaixo do campo: trocar o nome cria um push novo e os contadores começam do zero.
Envie o stream para um grupo¶
A aba Saída, o bloco Pushes, o botão + Adicionar push. O protocolo é MPEG-TS/UDP.
| Campo | O que define | Padrão |
|---|---|---|
| Nome | a identidade do destino | — |
| Host | o grupo multicast ou o endereço unicast do receptor | — |
| Porta | a porta do receptor | — |
| TTL de multicast | por quantos roteadores o datagrama sobrevive | 10 |
| Interface de saída | por qual placa de rede o multicast sai | escolhe o sistema |
| Endereço de vinculação | o endereço local ao qual o socket está vinculado | escolhe o sistema |
A chave Ativado ao lado do nome desliga um destino sem apagá-lo. O unicast difere do multicast só no endereço: TTL e escolha de interface funcionam do mesmo jeito.
Multicast numa rede real¶
Três coisas fazem a entrega tropeçar, e as três se resolvem com os campos acima.
- A placa de rede errada. Numa máquina com várias interfaces, o sistema escolhe a interface de saída pela tabela de rotas, e para multicast essa escolha muitas vezes não é a pretendida. Se o sinal «está sendo enviado» mas o receptor não o vê, defina primeiro a Interface de saída explicitamente.
- TTL. O padrão 10 deixa o pacote sobreviver ao roteamento — o 1 padrão do kernel não deixaria o stream sair nem da sub-rede. Através de vários roteadores o TTL sobe; para um segmento estritamente isolado, desce.
- O receptor tem que se inscrever. A estação envia para o grupo independente de alguém estar escutando: os pacotes saem sem nenhum inscrito. «Não chega nada» do lado do receptor costuma ser a inscrição dele mesmo ou o IGMP snooping no switch, e não a estação.
RTP em vez de TS puro¶
Alguns receptores esperam o MPEG-TS embalado em RTP conforme RFC 2250 / SMPTE ST 2022-2, e não um fluxo puro sobre UDP. É a mesma saída com outra encapsulação: escolha o protocolo MPEG-TS/RTP em vez de MPEG-TS/UDP.
O datagrama ganha um cabeçalho RTP; todo o resto — endereçamento, TTL, interface, contadores — é compartilhado com um push UDP comum.
A opção vizinha na mesma lista é RIST, para quando o lado que recebe espera exatamente isso.
Vários destinos de uma vez¶
Um stream tem quantos pushes precisar, e eles funcionam de forma independente: um receptor caído num destino não toca os demais.
Destinos com configurações de saída efetivas idênticas dividem um único stream byte a byte idêntico: cem pushes iguais custam tanto quanto um. O que os torna diferentes são apenas as suas próprias tabelas de serviço — o PNR e os PIDs próprios do destino; aí para ele as tabelas e os PIDs são reescritos, enquanto o arranjo dos pacotes, o PCR e os contadores de continuidade permanecem os da saída compartilhada.
Comportamento na falha¶
O pusher não tem política de novas tentativas própria — quem o reergue é o stream. Uma vez a cada cinco segundos o stream confere os destinos em execução com as configurações e troca um pusher morto por um novo; o contador de reconexões conta exatamente essas trocas.
Daí a consequência prática: o envio a um destino inalcançável nunca desiste e nunca precisa de reinício manual. Ele continuará voltando enquanto o destino estiver ativado.
Não contam como reconexões:
- editar as configurações — o pusher também reinicia, mas isso é decisão do operador, não uma falha do enlace;
- desligar e ligar — desligar não é apagar: as configurações e os contadores acumulados ficam, só o envio para.
Apagar um destino apaga também as suas estatísticas: os contadores estão ligados ao nome.
O que verificar¶
Sob cada push corre uma linha de estatística ao vivo: o status — Enviando, Erro ou Desativado —, a taxa em kbit/s, os erros por segundo, as reconexões e, num push falho, também o motivo. Todos os campos e as receitas de alertas estão na página Monitoramento de entrega.
O status Enviando com taxa zero significa que não há nada a enviar: o problema está na entrada, não na saída.
O que vem a seguir¶
- Saída MPEG-TS — PNR, PIDs e SDT, inclusive os próprios de cada destino.
- CBR para DVB — quando o sinal vai para um modulador.
- Monitoramento de entrega — contadores e alertas.